“Saber que há dinheiro para recuperar o Convento de Jesus” é a prenda que Fernando António Baptista Pereira, director do Museu de Setúbal, gostaria de receber no Dia Internacional dos Museus (18 de Maio). Já Joaquina Soares, directora do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), gostaria que as pessoas se deslocassem mais aos museus e que estes locais fossem encarados, não apenas “como armazéns do passado”, mas espaços “vivos onde se discutem problemas actuais”.
Inconformado com a paragem das obras do Convento de Jesus, Baptista Pereira afirma que “o presidente da Câmara e o Ministério da Cultura têm que encontrar uma solução conjunta, para desbloquear as verbas necessárias à reforma do Convento”, uma vez que “não é possível esperar mais, atendendo ao estado de degradação do monumento”. Na opinião do historiador "o Governo e os autarcas foram eleitos para encontrar soluções”. O director do Museu de Setúbal recusa-se a aceitar que “o país gaste cerca de 20 milhões de contos na construção de um estádio de futebol e não tenha dois milhões e meio de contos para recuperar um dos mais importantes monumentos nacionais”.
Fora a questão do Convento de Jesus, Baptista Pereira afirma que os museus do distrito “estão bem conservados”, já que as autarquias “têm demonstrado algum cuidado nesse sentido”. No entanto, o historiador não deixa de lamentar que “o Museu de Setúbal não tenha ainda um espaço próprio, uma situação que se prolonga desde há dez anos”. As instalações provisórias do Museu “põem em causa a conservação do seu espólio bibliográfico, pelo que é urgente encontrar uma solução”, esclarece Fernando António Baptista Pereira.
Novas instalações “é também o sonho” de Joaquina Soares, que se vê confrontada com a falta de espaço para expor condignamente “o acervo etnográfico do MAEDS, considerado o mais importante do país”. A directora do Museu de Arqueologia gostaria que “fosse construído um novo edifício para o Museu, junto à zona ribeirinha”, já que esta seria também uma forma “de requalificar aquela zona em termos culturais”, uma vez que “é fundamental para a capital de distrito ampliar a oferta cultural a níveis europeus”.
Quanto à necessidade “de trazer mais pessoas aos museus”, os dois directores estão de acordo, isto apesar de ambos considerarem que “existe um número razoável de visitantes”, em particular das escolas, dado que as duas instituições têm programas específicos para este público, no intuito de “tornar mais real as matérias abstractas que aprendem na escola”, esclarece Joaquina Soares. Baptista Pereira acrescenta que esta “é uma foram de aprender a brincar, estabelecendo uma melhor relação com a memória”.
Para trazer os adultos ao museu, Baptista Pereira salienta a necessidade de “serem editadas agendas culturais, ou mesmo criar páginas na internet, que permitam ao público saber o que se pode ver em cada espaço museológico”. Também neste sentido, Joaquina Soares aponta a necessidade de “mostrar às pessoas que o museu tem vida e que está atento às questões actuais, não é apenas um armazém de memórias”, para tal a directora do MAEDS alerta para “o importante papel que a comunicação social pode desempenhar nesta divulgação”.
Para os dois directores continua “a fazer sentido que exista um Dia Internacional dos Museus”, já que pelo menos neste dia os museus são falados no mundo inteiro e as pessoas são sensibilizadas para visitar estes espaços, que normalmente agendam actividades para assinalar a data.
No próximo dia 18 de Maio reabre o Museu do Trabalho com uma nova exposição. O MAEDS lança também neste dia um ciclo de iniciativas que vai desde uma visita ao centro histórico da cidade, até à apresentação de um filme de Stanley Kubrick, uma associação do Festróia à comemoração deste dia, passando ainda pela abertura de uma exposição de artes plásticas da autoria de Custódia Bota.